29 de junho de 2014

Herdeira

                                                 — CAPÍTULO QUATRO —
                                               Portas não se abrem para todos


Eram sessenta e seis jovens, sessenta e seis tentativas para em fim a porta se abrir, entretanto alguns encontravam-se desmaiados devido a dor, outros choravam em estado de choque.
Rebeca, Henrique e a jovem menina com quem conversavam se entreolhavam em meio ao caos.
— Roberta... Antes que a gente morra, meu nome é Roberta. - Disse recostando-se sobre a parede. - Olha, sou claustrofóbica, preciso sair daqui - Continuou enquanto falava pausadamente - Preciso!
Em seguida, Rebeca observou as pernas e mãos desta começarem a tremer. De seu rosto escorria suor.
— Por favor, se acalma! - Exclamou Henrique.
­— Meu deus! - Disse Roberta - O teto... Ta se aproximando, vamos ser esmagados! - Nada disso acontecia, tratava-se de um misto de sintomas do que ela dizia ter. Em seguida respirando rapidamente levantou-se, encarou a porta a sua frente e correu até lá, segurou a maçaneta da porta com força entretanto esta não se abriu. Mesmo assim a jovem continuou a puxar enquanto chorava e gritava assustada.
Henrique correu para socorre-la, com força a puxou para longe enquanto Roberta relutava. Ainda a segurando disse para que todos ouvissem:
— Vamos, se não tirarmos logo ela daqui não sei o que vai acontecer... É só fazer o que a voz mandou.
Um por um então seguiram até a porta, os que não haviam recuperado-se ainda seriam os últimos. Rebeca observou todos até sua vez chegar. Andou lentamente até a porta, sendo tomada dês de quando se levantou por uma gélida sensação. Ao chegar em seu objetivo, hesitante pôs sua mão sobre a maçaneta dourada, quando a girou sentiu como se sua mão queimasse. A porta então abriu-se deixando a mostra um grande corredor, onde havia vários cômodos, além de uma escada que se localizava no centro. Subindo esta inesperadamente uma verdadeira fila de adultos marchava com passos pesados até se colocarem bem em frente aos jovens, fazendo com que fossem visíveis a todos. Pouco a pouco as vozes e murmúrios que tomavam conta do lugar fora diminuindo até o silêncio absoluto imperar. O mesmo foi quebrado, por uma garotinha, que sem entender muito bem o que estava acontecendo, chamava por sua mãe. Sem medo ela caminhou até a fila de adultos, parando em frente a uma mulher alta de cabelos negros. Então a garotinha fez o que ninguém imaginava; agarrou as pernas de sua “mãe” e começou a chorar. A mulher por sua vez continuou em posição de sentido, porem, em um rápido movimento empurrou a garota que instantaneamente se desgrudou de suas pernas enquanto seu pequeno corpo deslizava pelo chão, devido à força que a mesma havia empregado ao empurrão.
Em seguida a mulher de cabelos negros deu um passo à frente se destacando da fila de adultos, então apontou para escada.
Quando todos em fim chegaram a sala de jantar encontraram duas grandes messas postas, nelas havia uma grande diversidade de frutas e jarras generosas de sucos, algo que para olhos famintos parecia muito interessante. Entretanto a surpresa maior foi notada quando os dois amigos observaram uma figura familiar imóvel entre as duas messas. Agora com um aspecto deplorável Senhora Willians acompanhava cada movimento que pudesse parecer brusco de qual quer um que ali se encontrava. Em sua face imperavam os olhos sem vida.
Muitos já permitiam-se avançar sobre tão lindos alimentos, porém os três jovens continuaram a encarar Senhora Willians. Roberta apenas tentava compreender tão intrigante cena enquanto recuperava-se de sua crise.
Em meio a confusão Senhora Willians caminhou até Henrique e o encarou, por alguns minutos seus olhos perderam o aspecto vazio e ganharam um pouco de brilho, suas mãos pareciam ter vida própria, ora fechavam, ora abriam, sua boca mexia como se quisesse falar algo, mas nem um som a mesma emitia. Então como se houvesse perdido uma batalha a qual sua consciência fosse o premio, Senhora Willians voltou a caminhar.
Enquanto na sala de jantar ninguém ousou conversar sobre nada, nem mesmo os que nunca haviam visto tal mulher.
Levados novamente ao quarto onde estavam, encontraram um senhor de idade que caminhava freneticamente pelo corredor até então vazio. O pobre homem ao notar a presença dos jovens tratou de abrir a porta do dormitório mais que depressa.
— Aquele na... Não é o... – Gaguejou Henrique dando uma breve pausa como se estivesse chocado de mais para terminar a frase.
— Senhor Ezequiel! – Completou Rebeca visivelmente frustrada enquanto encarava Roberta - é o zelador da nossa escola... Entre as messas era a mãe dele - Explicou apontando sutilmente para o amigo.
Já no quarto, rapidamente sua luz foi apagada e a porta mais uma fez fechada deixando o cômodo muito mais sombrio.

 
 


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