3 de agosto de 2013

Herdeira

  — CAPÍTULO TRÊS —
       A voz de ninguém


 A rua estava incrivelmente deserta, não havia nada, nem mesmo corpos. O silêncio amedrontava e o vento soava estranho onde a pouco era um lugar movimentado.
Beca foi diminuindo os passos enquanto marchava até sua casa. Ao segurar a maçaneta da porta algo a impediu de abri-la. Respirando lentamente olhou para o lado já esperando o pior.
— Vem comigo, precisamos fugir! – Falou Henrique.
— Ah... – Suspirou aliviada.
— Vamos! – Disse aflito.
— Minha mãe! O que está acontecendo aqui? - Indagou.
— Eu sei que é pedir muito, mas mantenha a calma... Só escutei tiros e pessoas gritando perto do mercado; me arrependi de não ter ido com...
Henrique mal pode concluir a frase. Os três atiradores que antes perseguiram Beca, haviam se aproximado sem que percebessem. Quando por fim notaram a presença do inimigo, já era tarde. Sem tempo de manifestar qual quer reação os amigos viram-se dominados.
Rebeca tentava escapar sem resultado algum, Henrique fazia o mesmo, mas já desacreditado mostrava-se menos relutante. Assim, um dos atiradores que segurava a jovem incansável, agarrou-a pelos cabelos, e com uma força incrível jogou-a contra o chão.

***

Ao abrir os olhos, Rebeca deparou-se com vários olhares curiosos, os mesmos vinham de adolescentes e crianças os quais muitos estudavam em sua escola ou moravam próximo. Todos sentados ao chão.
Só então a garota pode reparar em si própria e em seu melhor amigo que encontrava-se ao seu lado, imóvel e calado como jamais vira antes. Ambos sujos, entretanto, Beca possuía agora um grande machucado no topo de sua testa, este minava sangue.
Ainda tonta devido a pancada tentou levantar-se, porem uma estranha movimentação a fez esperar; era o melhor a se fazer perante tal situação.
Do meio da “multidão” aglomerada uma menina loura, abriu caminho para que pudesse passar.
Chegando até onde estava Beca, começou um discurso que parecia já ter repetido antes:
— Você tem alguma ideia do por que estamos aqui, não tem? – Seus olhos azuis suplicavam para que a resposta fosse positiva.
— Não... - Disse confusa - Onde estamos?
— Na Casa mais antiga da cidade! - Respondeu Henrique enquanto a loira assentia.
Tratava-se da residência dos Mesquitas, onde há vários anos seguia-se a tradição de a passar de geração à geração, entretanto esta fora abandonada depois do único filho do casal da vez fugir, sendo encontrado morto pouco depois. Sem herdeiros, e sem os antigos moradores, a verdadeira mansão tornou-se somente uma velha casa abandonada.
Ao terminar de ouvir o amigo, Beca sentiu uma dor terrível em sua cabeça, de relance percebeu que o mesmo acontecia a todos. Alguns inclinavam-se enquanto agarravam suas cabeças com força, outros retorciam-se ao chão.

“Escutem bem, sem questionar, saiam do quarto e andem em direção a sala de jantar. Só não garanto que qual quer um possa abrir a porta.”

Uma voz masculina, em um sussurro falou na da mente de cada um dentro do cômodo. Ao fim, toda dor cessou.

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