— CAPÍTULO CINCO—
O quarto escuro
Os jovens aos poucos pegaram ao sono entre alguns estralos típicos de casas antigas e assustadores bateres de porta, todos, menos Rebeca Bullins. Beca estava sendo atormentada por uma sequência terrível de pesadelos. Primeiro um homem de mais ou menos cinquenta anos entregava uma arma a outro bem mais jovem, este então aparecia em sua casa ao lado da cama de sua mãe. Em seguida sonhou que mais uma vez conseguira abrir a porta do cômodo onde estava, entretanto, sozinha caminhou até uma das paredes do grande corredor e ao encostar sua mão sobre esta a viu se abrindo enquanto era engolida pela escuridão do local. Agora acordada a alguns minutos, sentia uma vontade incontrolável de tocar na parede de seu sonho.
O quarto escuro
Os jovens aos poucos pegaram ao sono entre alguns estralos típicos de casas antigas e assustadores bateres de porta, todos, menos Rebeca Bullins. Beca estava sendo atormentada por uma sequência terrível de pesadelos. Primeiro um homem de mais ou menos cinquenta anos entregava uma arma a outro bem mais jovem, este então aparecia em sua casa ao lado da cama de sua mãe. Em seguida sonhou que mais uma vez conseguira abrir a porta do cômodo onde estava, entretanto, sozinha caminhou até uma das paredes do grande corredor e ao encostar sua mão sobre esta a viu se abrindo enquanto era engolida pela escuridão do local. Agora acordada a alguns minutos, sentia uma vontade incontrolável de tocar na parede de seu sonho.
Subitamente a jovem levantou-se do chão pisando com delicadeza para que
assim ninguém acordasse, porem teve sua mão segurada ao mesmo tempo em que sua
boca era abafada. Logo ouviu um sussurro:
— Você só pode ser louca! - Disse Henrique a soltando.
Sem prestar muita atenção no que o amigo dizia, Beca correu em direção a
porta que assim como no sonho voltou a se abrir dando passagem aos dois.
Henrique a fechou enquanto Rebeca corria até a parede sonhada.
— O que esta fazendo?
— É como se eu precisasse muito vir aqui - Disse segurando o pulso de
Henrique - Vem comigo? - Indagou.
— Ir para onde, Beca?
Rebeca apenas apertou mais forte o pulso do amigo, em seguida tocou a parede a sua frente que de imediato deu lugar a um novo cômodo.
Rebeca apenas apertou mais forte o pulso do amigo, em seguida tocou a parede a sua frente que de imediato deu lugar a um novo cômodo.
Ao entrar no quarto tudo continuou igual, mas quando os amigos pensaram
em recuar a porta se deslocou mais uma vez os deixando presos naquele breu
total. Os dois paralisaram de medo, no entanto um pouco distante uma pequena
luz começou a brilhar, ela se mexia, e à medida que se aproximava seu tamanho e
intensidade aumentavam. Em questão de segundos viram-se engolidos pela luz que
quase os segara.
Quando abriram os olhos novamente, viram uma praça, mas a mesma e tudo
ao seu redor era branco (arvores, terra, bancos e ate mesmo o céu).
— Tudo isso parece tão familiar... – Desconfiou Henrique.
— É a “nossa” praça! – Disse Rebeca apontando para uma faixa pendurada
no tronco de duas árvores.
De imediato Henrique a leu:
— Feliz 1994, queridos moradores de Álvares de carvalho.
—... É a nossa cidade há 17 anos atrás.
— Olhe! – Agora era a vez de Henrique apontar, e ele apontava para
alguém que ainda possuía cor. Era Clarisse. Ela andava apressada; ao passar
pelos jovens quase os atropelará, deixando claro que não podia os ver.
De imediato a seguiram, não era surpresa, estava indo para casa. Naquele
tempo já morava sozinha.
Ao chegar fechou a porta rapidamente impedindo a passagem dos jovens, que mesmo ao forçar a maçaneta constataram que esta não abria; a presença dos dois ali era ignorada. Assim correram para a janela, esta deixava a vista à sala da casa, que também era branca, e pouco diferia da dos dias atuais.
Ao chegar fechou a porta rapidamente impedindo a passagem dos jovens, que mesmo ao forçar a maçaneta constataram que esta não abria; a presença dos dois ali era ignorada. Assim correram para a janela, esta deixava a vista à sala da casa, que também era branca, e pouco diferia da dos dias atuais.
Na poltrona preferida de Beca, um homem alto de cabelos bagunçados e
barba por fazer, estava acomodado. Ele também possuía cor.
Clarisse sentou-se no braço da poltrona e deu um beijo apaixonado no
rapaz, em seguida o olhou seria.
— Meu amor... Precisamos conversar.
— Clarice, não estou disposto a discutir de novo! – Disse levantando-se.
— Não, não é isso! Sabia que viria hoje, então sai mais cedo do
trabalho. Preciso te contar algo.
— Você esta me deixando preocupado, amor.
— Vou falar sem rodeios, pois isso vai mudar nossas vidas.
— Diga!
— Eu... - Hesitou - Eu... Estou grávida! - O homem imediatamente colocou
as mãos em sua cabeça, sem direção andou até encostar-se na parede a sua
frente. – Você vive dizendo que ama crianças...
— Não! – Gritou – Não pode ser!
— Por quê? Não posso conhecer sua família, não posso saber de onde veio,
e nem tão pouco contar para minhas amigas de sua existência, e agora? Não posso
ter um fruto do nosso amor?
— Você tem que abortar. – Disse o homem correndo até Clarisse, falando
enquanto segurava seus braços.
— Não farei! Como pode falar algo do tipo?
— Essa criança vai herdar tudo de ruim que não quero que saiba sobre
mim... Amo crianças, mas não posso ter uma minha!
— Saia daqui!
— Me prometa que vai abortar...
— Saia, agora! – Ordenou em lagrimas – Some da minha vida, e não apareça
nunca mais!
Hesitando o homem saiu da casa, perdendo sua cor. Com Clarisse o mesmo
aconteceu.
Rebeca então sentiu uma lagrima teimosa escorrer de seus olhos, enquanto
Henrique a abraçava forte.
Em
um instante tudo mais uma vez escureceu. Atrás dos amigos o barulho da porta se
deslocando. A mesma não se abriu por completo, apenas o bastante para que
pudessem ver a outra parede se deslocar. De lá saiu senhor Ezequiel, com o
mesmo olhar sem vida típico dos adultos que ali estavam. Já era dia. 

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