10 de fevereiro de 2013

Herdeira


— CAPÍTULO DOIS —
 Desaparecidos

Logo, caminhando lado a lado em silêncio os amigos não fizeram questão de comemorar por saírem “vivos” da escola.
— Bom... – Disse Rebeca dando uma longa pausa, na tentativa de achar palavras certas para se desculpar. Fora ela que mais uma vez havia convencido o amigo, sempre politicamente correto a "sair da linha".
— Pode ficar tranquila, tudo continua igual! – Disse chutando uma pequena pedra.
Antes que a jovem pudesse mais uma vez tentar argumentar, foi interrompida pelo toque estridente de seu celular.
— “Dona” Clarice. – Informou enquanto lia a uma mensagem de texto – Preciso ir ao mercado. Vamos? - Perguntou esperançosa.
— Acho melhor eu ir para casa, sabe como é. – Disse fitando o céu, já envolto pela escuridão da noite.
— Certo. Amanha a gente se vê?
— Claro! – Concluiu.
Já no mercado enquanto esperava seus três reais de pão quentinho, Beca distraiu-se com alguns folhetos que a pouco haviam sido grudados na parede; neles encontravam-se fotos de várias pessoas que estavam desaparecidas, umas há semanas, outras há meses, todas maiores de idade. Para a jovem, tal situação teria uma explicação lógica: Eram apenas pessoas donas de si que decidiram sair da pequena cidade para desfrutar o mundo “lá fora”, uma vez que nada relativamente ruim acontecia na pequena cidade.
No entanto, segundos depois algo desviou sua atenção. Ouvia-se gritos os quais deixaram todos ali em alerta, pouco depois os gritos foram abafados por tiros. Logo os responsáveis por eles entraram no mercado causando um tumulto ainda maior. Com medo, Beca escondeu-se atrás de uma prateleira enquanto os tiros teimavam em não cessar. Na tentativa de ver os responsáveis por tal situação a jovem abriu espaço entre alguns produtos. Acabou por ver algo bizarro; os atiradores eram três das pessoas que haviam desaparecido. Chocada com a cena, Beca bateu sua mão em uma pilha de produtos que desabaram ao chão. De imediato os olhares penetrantes, porem sem vida dos três atiradores voltaram-se para ela, entretanto só um deles correu em sua direção.
A jovem fugiu o mais rápido que pode tropeçando em meio aos corpos que estavam espalhados pelo chão. Quando conseguiu sair do mercado notou que ninguém mais a seguia. Intrigada, mas com medo, voltou a correr sem direção. Enquanto o fazia lembrou de sua mãe, que como sempre estava sozinha em casa. Imediatamente a jovem foi dominada por pensamentos ruins, pensamentos que fizeram mudar a rota de seus passos.

2 comentários:

  1. Omg!!!
    Agora eu fiquei com medo, quero ler muito o final dessa história. Nunca passei por essas situações, mas tenho colegas que já viram assaltos e esses tipo de coisas :s
    bjo
    http://flahkatarine.blogspot.com.br

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